É quase basilar neste banho cultural a que chamamos mundo ocidental. Como expremia já Wilhelm Reich, a nossa sexualidade vive tolhida entre a moral religiosa castradora, e a lascívia pornográfica. As impossíveis interdições da Igreja Católica geram ignorância sexual e alimentam o gosto pelas perversões, pelos excessos e pelo sexualidade distorcida que se apresenta na pornografia.
Um caso para ilustrar: este ano uma professora foi impedida de exercer a sua profissão depois de ter pousado nua para a Playboy. A comunidade escolar e os pais exerceram a sua pressão para a expulsar e remeter a um gabinete onde tratará de burocracia até descobrirem o que fazer com ela. No entanto todos os exemplares da Playboy se esgotaram essa semana, e tiverem de vir mais para os quiosques da terra.
As pessoas não parecem saber o que fazer em relação à sexualidade e têm duas caras quando são confrotados com ela. Nem a religião, nem a pornografia, nem a chamada educação sexual (reprodutiva) parecem apresentar soluções.
A pornografia parece fazer uma enorme distorção nas mentes deixadas virgens pela religião. Na realidade, desde que apareceu, têm vindo a aumentar as disfunções sexuais. A pornografia, salvo raríssimas excepções promove uma sexualidade animalesca que a curto prazo será insatisfatória para o casal. Muito dificilmente aquele conjunto de imagens em movimento poderão ajudar a ter uma sexualidade mais satisfatória. Pelo contrário, deslocam o foco da sexualidade para a visão e audição, já demasiado estimuladas à partida, deixando de lado a riqueza inexplorada do cheiro e do tacto, sentidos únicos no acto sexual. A visão e a audição podem ser simuladas, o paladar por vezes, já os restantes não. O cheiro de cada pessoa é único e desempenha um papel fulcral na atração sexual. O tacto, se incluirmos nele trocas energéticas e hormonais, é igualmente impossível de simular.
Paralelamente ao empobrecimento da experiência sexual, há uma desregulação social da sexualidade. Os êxodos rurais levaram a uma aculturação e os limites sociais ao namoro murcharam até se reduzirem ao controlo da família, ao nível das entradas e saídas de casa. Com estes limites tendeu a desaparecer também o aconselhamento sexual que existia (o que resistiu ao catolicismo). Havia toda uma variedade de regras e rituais de namoro, que constituiam não só uma limitação mas também um campo de experimentação sexual controlado.
Mesmo se nos limitarmos a Portugal, constata-se uma grande variedade de rituais, ditos e regras que sobreviveram ao catolicismo e que pretendiam regular as relações sexuais. Mais ou menos repressivamente, mais ou menos equalitárias no género.
Um exemplo extremo é o caso das orgias, promovidas na casa de Deus pelo próprio paroco, que permitiam aos casais na passagem do ano trocar de parceiro sexual. Estes rituais sobreviveram até aos anos 70, e são lembradas com nostalgia por quem nelas participaram. Este género de válvula de escape sexual está presente desde o tempo dos Romanos, e até no dia do caos dos antigos Maias.
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