[Numa certa aldeia transmontana] as relações sexuais entre o marido e a mulher são marcadas pelo conflito. O homem é fortemente pressionado a satisfazer fisicamente a sua mulher. As mulheres, dizem os camponeses locais, têm fortes apetites sexuais e, no caso de estarem insatisfeitas, acabarão por cometer adultério. A mulher deve também responder às necessidades sexuais do marido. Os dois sentem-se, assim, constrangidos a desempenhar adequadamente o seu papel nas relações sexuais. Um ginecologista com experiência local afirmou-me ser extremamente difícil persuadir os casais a suspenderem as relações sexuais por motivos de saúde, mesmo só por breves períodos de tempo. Na sua opinião, os dois parceiros medem o seu sucesso pessoal pela gratificação sexual do outro, instaurando-se, deste modo, uma forma de competição sexual. [...] como os meus informantes masculinos me explicavam, o controlo masculino encontra a sua razão de ser na necessidade do homem “se rir” quando está na posição de o fazer. Os homens queixam-se que as mulheres “se riem” deles quando eles são jovens e não jovens e não conseguem ainda controlar o seu orgasmo. De igual modo, durante a velhice, sabem que reencontrarão dificuldades para cumprir sexualmente; as mulheres voltarão novamente a “rir-se” deles. Na idade madura, pois, o homem aprende a “controlar-se”; pode “montar e desmontar a mulher as vezes que lhe apetecer”, pode “rir-se” dela: é ele que sexualmente tem poder sobre ela.
Pina-Cabral, João (1989). Filhos de Adão, Filhas de Eva, pp. 115-116. Lisboa: Publicações Dom Quixote.
“El emperador Amarillo preguntó a la mujer Pura: me siento muy cansado y ansioso, ¿qué debo hacer?
La mujer Pura le contestó: este cansancio y esta sensación de ansiedad se deben a la falta de equilibrio entre las energías del Yin e las del Yang, provocada por vuestra incapacidad de llevar una vida sexual adecuada. ¡Cuándo la mujer domina sexualmente al hombre, es como si tirasemos un cubo de agua encima de una vela! La vida sexual del hombre y de la mujer puede ser comparada con un cocinero que tiene que dosificar el fuego para la cocción y el agua para la cazuela. Y, así como el cocinero aficionado necesita la ayuda de un libro de cocina, el tratado de sexología también es necesario para ayudar a armonizar la vida sexual”.
Edde, Gérard (1993). Manual Prático de Sexologia China, p.31. Barcelona: Ediciones Obelisco.
[O fluxo de energia vital] flui tanto visível como invisivelmente, num ciclo sem fim, pois circula dentro de você, entre você e o mundo, e entre o Céu e a Terra com o [H]omem no meio. É o sangue que flui entre o coração e os rins, o amor (e ódio) que passa entre o homem e a mulher, as tempestades, e o brilho do sol que circula entre o céu e a terra.
Muitos se afogam nesse fluxo de vida, são simplesmente esmagados por ele. Alguns não “conseguem” fluxo suficiente e se sentem trapaceados ou amargurados. Outros vagueiam desnorteados, sem objectivo, alienados e sem se dar conta de que existe um fluxo. Independentemente da atitude com relação à vida, quase todo o mundo almeja, a certa altura, se ancorar numa relação afectiva. [...]
Esse fluxo de energia entre pólos opostos do homem e da mulher é a chave para a harmonização do fluxo de energia da nossa vida.
Chia, Mantak & Winn, Michael (1984). Segredos Taoistas do Amor – Cultivando a Energia Sexual Masculina, pp.184-186. São Paulo: Roca.
É quase basilar neste banho cultural a que chamamos mundo ocidental. Como expremia já Wilhelm Reich, a nossa sexualidade vive tolhida entre a moral religiosa castradora, e a lascívia pornográfica. As impossíveis interdições da Igreja Católica geram ignorância sexual e alimentam o gosto pelas perversões, pelos excessos e pelo sexualidade distorcida que se apresenta na pornografia.
Um caso para ilustrar: este ano uma professora foi impedida de exercer a sua profissão depois de ter pousado nua para a Playboy. A comunidade escolar e os pais exerceram a sua pressão para a expulsar e remeter a um gabinete onde tratará de burocracia até descobrirem o que fazer com ela. No entanto todos os exemplares da Playboy se esgotaram essa semana, e tiverem de vir mais para os quiosques da terra.
As pessoas não parecem saber o que fazer em relação à sexualidade e têm duas caras quando são confrotados com ela. Nem a religião, nem a pornografia, nem a chamada educação sexual (reprodutiva) parecem apresentar soluções.
A pornografia parece fazer uma enorme distorção nas mentes deixadas virgens pela religião. Na realidade, desde que apareceu, têm vindo a aumentar as disfunções sexuais. A pornografia, salvo raríssimas excepções promove uma sexualidade animalesca que a curto prazo será insatisfatória para o casal. Muito dificilmente aquele conjunto de imagens em movimento poderão ajudar a ter uma sexualidade mais satisfatória. Pelo contrário, deslocam o foco da sexualidade para a visão e audição, já demasiado estimuladas à partida, deixando de lado a riqueza inexplorada do cheiro e do tacto, sentidos únicos no acto sexual. A visão e a audição podem ser simuladas, o paladar por vezes, já os restantes não. O cheiro de cada pessoa é único e desempenha um papel fulcral na atração sexual. O tacto, se incluirmos nele trocas energéticas e hormonais, é igualmente impossível de simular.
Paralelamente ao empobrecimento da experiência sexual, há uma desregulação social da sexualidade. Os êxodos rurais levaram a uma aculturação e os limites sociais ao namoro murcharam até se reduzirem ao controlo da família, ao nível das entradas e saídas de casa. Com estes limites tendeu a desaparecer também o aconselhamento sexual que existia (o que resistiu ao catolicismo). Havia toda uma variedade de regras e rituais de namoro, que constituiam não só uma limitação mas também um campo de experimentação sexual controlado.
Mesmo se nos limitarmos a Portugal, constata-se uma grande variedade de rituais, ditos e regras que sobreviveram ao catolicismo e que pretendiam regular as relações sexuais. Mais ou menos repressivamente, mais ou menos equalitárias no género.
Um exemplo extremo é o caso das orgias, promovidas na casa de Deus pelo próprio paroco, que permitiam aos casais na passagem do ano trocar de parceiro sexual. Estes rituais sobreviveram até aos anos 70, e são lembradas com nostalgia por quem nelas participaram. Este género de válvula de escape sexual está presente desde o tempo dos Romanos, e até no dia do caos dos antigos Maias.
No rol de preconceitos que se coleccionam sobre a sexualidade masculina está a de que o homem atinge o orgasmo sempre que ejacula e que logo orgasmo=ejaculação.
Em primeiro lugar existem perturbações em que o homem ejacula sem dar sequer por isso ou em que a ejaculação é dolorosa. Acontece também que os homens podem ter ejaculações não-prazeirosas. Assim como as mulheres, que podem ter contrações vaginais e sentir que foi algo mecânico. Mas não é de uma doença ou perturbação de que vamos falar.
Os homens podem ter orgasmos sem ejaculação. A sensação, que traz um bem estar profundo é geralmente descrita como um formigueiro, vaga de calor ou frio que sobe desde as pernas até à cabeça. Isto é muito parecido com o que é descrito por algumas mulheres como sendo o “verdadeiro orgasmo”. Esta sensação parece ser independente da ejaculação, mas pode coincidir com a ela, e penso que o nome mais correto será orgasmo energético. Geralmente é acompanhado de sininhos e a sensação de estar nas nuvens.
É também possível para o homem ter contrações penianas sem ejacular, o que faz com que os próximos orgasmos sejam ainda maiores – sim porque o homem também é capaz de orgasmos múltiplos. Conseguir isto é um primeiro passo para atingir o orgasmo energético, ou o extâse sexual.
Os orientais já há muito se debruçaram sobre o assunto e alguns chegam a afirmar que este orgasmo pode ser atingido mesmo sem contacto físico – o que acontece por vezes expontaneamente quando as pessoas estão muito apaixonadas. De novo isto torna os orgasmos masculinos e femininos mais próximos já que as mulheres chegam a ter orgasmos durante o sono, sem qualquer contacto físico.